O Blog do Vilão


Reflexões sobre a verdade

Truth is the daughter of time, not of authority.
Francis Bacon

Achei que eu não fosse escrever hoje...
Mas tenho que dizer algo.
Meu amigo Salusfer sempre diz que "a verdade está entre dois extremos".
E isso é verdade. He, he, he...
Ouvi muito uma frase em minha vida, "A verdade sempre aparece".
E apareceu mesmo.
A gente se engana com as pessoas. Como se engana.
Mas a verdade é filha do tempo. Não da autoridade.
É bom ter a consciência limpa.
É bom ver que todas as acusações que você sofreu foram levadas pelo tempo.
E que você saiu ileso disso tudo.
Honrado. Limpo.
E que a máscara das pessoas que te acusaram de crimes que você não cometeu simplesmente despencaram.
A verdade aparece mesmo. As máscaras sempre caem. O peixe realmente morre pela boca.
Tenho que admitir, você estava certa.

Parabéns.



Escrito por Fabrício Rocha às 10h06
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Mensagem no MSN

If you only could live my life,

You could see the difference

You make to me… To me.

Guns n’ Roses – So fine.

 

Vou colocar hoje o que colocaria amanhã. Feriado, né?

 

Dias atrás comecei a brincar com meu MSN. Na mensagem pessoal, deixei algo como “Quero você pra mim, não importa quanto tempo leve”. Foi engraçado, algumas pessoas me perguntaram coisas como “Professor!!! Tá apaixonado?!?”, “Quem é a felizarda?” ou “Por que você não conta essas coisas para os outros?”. Depois, coloquei uma contagem regressiva, coisa que me irrita muito. A mensagem era mais ou menos “Only four days to go. And then, my friend, you die”. Dessa vez, me perguntaram até pessoalmente sobre o que estava falando. Algumas nem sequer se tocaram, nem todo mundo fala inglês. Mas algumas perceberam a brincadeira: Tirei isso de um episódio do Beavis and Butt-Head, no qual eles vão a um sarau de poesia e um cara recita isso (and, then, my friend, you die... .And then, my friend… You die... You die, my friend) Hilário. A próxima mensagem que colocarei será “Ah, se eu não fosse hetero...

Vamos ver o que dá.

Quer dizer… Xi…

É ruim de eu dar algo pra alguém, hein?

 

Bom fim de semana. Segunda que vem tem mais.

Feliz Páscoa a Todos. Ou não.



Escrito por Fabrício Rocha às 10h43
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What doesn’t kill you makes you… stranger.

The Joker (Heath Ledger) – The Dark Knight

 

Já escrevi três posts para a semana. Esse é o quarto. O primeiro foi nostálgico, o segundo nostálgico e depressivo, o terceiro, revoltado.

Esse eu não sei muito bem como vai ser.

Não estou com vontade de escrever nada engraçado, isso com certeza.

Também não quero resmungar sobre sentimentos.

Vou fazer um post romântico.

 

A g r a d e c i m e n t o s

Quero agradecer ao Nando Zancopé. Um verdadeiro amigo.

Obrigado, cara. Por ter me ouvido sem eu ter pedido. Por ter me feito companhia em uma hora triste.

Graças a você, estou bem.

Vou ficando feliz aos pouquinhos.

Mas estou bem.

Foi uma sorte muito grande ter te conhecido.

Você salvou minha vida. Da mesma maneira que salvei a vida de um amigo meu, anos atrás. Não estou exagerando.

Valeu. Se tudo de bom que fizermos para as pessoas realmente voltar para a gente, você será a pessoa mais feliz do Universo.

Obrigado, Mary e Melanie, por existirem.

Papai ama vocês. Mais do que a qualquer outra pessoa no mundo inteiro.

Vocês têm um grande futuro pela frente. Estarei sempre com vocês.

O olhar e o sorriso de vocês funcionam como um bálsamo para mim.

Talvez minha vida tenha realmente um sentido, e esse sentido está profundamente enraizado em vocês.

Vocês são muito novinhas para entenderem isso.

Mas um dia, espero, entenderão.

E fico muito tranqüilo com isso.

 

 

Acreditem em mim, filhos podem te fazer feliz. Plantar uma árvore ou escrever um livro, não.



Escrito por Fabrício Rocha às 07h53
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Desabafo

If you can meet with Triumph and Disaster

And treat those two impostors just the same…

If - Rudyard Kipling

 

Por que sofremos por amor? Por que simplesmente não damos de ombros e seguimos nossas vidas aproveitando nossas amizades, nossos talentos, nossos dons, a capacidade que temos de superar tudo e seguir em frente? Por que tanta gente se mata quando não tem o sentimento correspondido?

Tenho dois livros em casa, o nome de um é “Por que odiamos?”, sua capa é preta. O nome do outro é “Por que amamos?”, sua capa é rosa. Já devo ter lido o primeiro, no mínimo, umas quatro vezes. O segundo nem sei quantas páginas tem. Nunca sequer o abri. Vou fazer isso hoje. Até o fim de semana quero ter a resposta a essa pergunta.

Há tantas dúvidas, tantas perguntas sem resposta. Afinal, devemos achar um amor para darmos sentido à nossa vida ou apenas depois de darmos sentido à nossa existência é que devemos achar alguém para compartilhá-la? Faz sentido compartilhar nossa vida com alguém se nossa vida já for completa? Para que nos preocuparmos com outras pessoas se, sozinhos, já temos preocupações que nos fazem suspirar e pensar “Droga, mais uma noite na qual não morri dormindo”?

Por que uma pessoa que foi importante para a gente um dia pode se transformar em apenas mais um rosto na multidão, ou pior, alguém cuja presença nos faz mal? Ou por que ao invés de apagarmos na nossa memória alguém que apenas nos fez infelizes, ficamos pensando nessa pessoa e ficamos tristes por não a termos ao nosso lado?

Dá para desligar isso como fazemos com uma lâmpada acesa em um quarto iluminado pela luz do Sol?

Dá para se livrar desse sentimento como nos livramos de um calçado que está gasto e que apenas nos traz desconforto?

Dá para gritar “This is Sparta” e meter o pé no peito dessa sensação de abandono, desprezo e tristeza? Isso é possível?

Ainda bem que temos amigos que nos ouvem. Que nos aconselham. Que nos dão um abraço quando você precisa, sem ao menos termos que pedir por eles.

Por que alguns têm a sorte de ter família? Família mesmo, no sentido de chegar em casa, ter papai, mamãe, pessoas que realmente se preocupam com o nosso dia-a-dia, que fazem com que nos sintamos importantes e não nos fiquem apontando a cada momento como somos imperfeitos e minando nossa auto-estima para que viremos suicidas depressivos que não vêem sentido em nada?

Isso também não é amor?

Por que alguns não têm direito a esse requisito básico para uma vida, ao menos, equilibrada?

 

Fuck you all; this is the last song in the evening.

Kurt Cobain – MTV Unplugged in New York

Escrito por Fabrício Rocha às 11h06
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And I swear that I don’t have a gun.

Kurt Cobain – Come as You Are.

 

I must have died alone

A long, long time ago.

Kurt Cobain – The Man Who Sold the World (Cover do David Bowie)

 

            Para ser sincero, nem sei como começar esse post. Vou falar sobre Kurt Cobain. Ele foi, para mim, e para muitos da minha idade, um ídolo, uma referência, um ícone. Claro, muitos também o odiaram e o execraram, mas não dá para agradar todo mundo. Mas o cara, mesmo tocando sua guitarra de forma simples, conseguiu superar o Michael Jackson em vendas. E isso, definitivamente, é um motivo para que o respeitemos.

            Às vezes eu acho que todo mundo sabe exatamente do que estou falando, e isso me cria problemas. Para quem não sabe, Cobain foi o líder do Nirvana, a banda que catapultou Seattle, camisas de flanela, Pearl Jam, Soundgarden, Alice in Chains e o movimento grunge para o mundo. Quem não era adolescente no começo da década de Noventa não sabe de que estou falando. É uma pena. Acho que Kurt foi, realmente, o último grande ícone do rock, alguém à altura de John Lennon. Quem discorda, que atire o primeiro Marshall valvulado em minha cabeça.

            Eu me identificava com Cobain por muitos motivos. Família desestruturada. Problemas de saúde. Falta de amigos. Auto-estima baixa. Depressão. Incompreensão por parte de outras pessoas. Introspecção. Timidez que era interpretada como rudez. Obviamente, não vou pedir que o tenham como modelo. Ele era viciado em heroína, não tomava banho, acabou se matando com um tiro na cabeça sozinho, em sua casa em Seattle. Mas como é bom ver alguém desacreditado, humilhado, triste e solitário chegar aonde ele chegou.

            Quase quinze anos se passaram desde sua morte. Mas ainda hoje sinto a influência de Cobain em minha vida. Dias atrás, um amigo me emprestou o DVD do acústico do Nirvana. Hoje vejo que, musicalmente, eles eram bastante pobres. Não sou um exímio músico, mas arranho bateria e violão e sei que não é preciso ser um virtuose para tocar as canções da banda. Não importa. A mídia especializada já chamou Kurt várias vezes de gênio, alguém que sabia combinar acordes dissonantes como ninguém. Apoio-me nessa citação para afirmar que, desculpem a simplicidade, Kurt era fodástico.

            E, analisando o acústico, sinto que ele já tinha preparado em sua cabeça o que ele faria cinco meses depois de sua gravação. O especial foi gravado em Novembro de 1993, ele estourou os miolos em Março de 1994, se não me falha a memória... O clima que permeia (clichês, clichês) o programa era de um velório. Flores brancas, velas, um violoncelo (eu acho que era um violoncelo, pelo menos) melancólico, uma iluminação triste. Kurt estava preparando seu próprio funeral. E a ironia de vê-lo cantar “E eu juro que não tenho uma arma” ou “Eu deveria ter morrido sozinho/bastante tempo atrás” chega a ser caustica. Ele se matou, com uma arma, sozinho, há 14 anos. A maioria de meus amigos não sabia nem escrever nessa época. Isso significa que faz muito tempo que ele morreu sozinho, e que ele tinha uma arma.

            É emocionante para mim ver aquele loiro magro e baixo, de profundos e tristes olhos azuis cantando. Podem dizer o que quiser de sua habilidade com a guitarra, mas sua voz era magnífica. Basta ver o que ele fez em canções como “Plateau”, “Oh me” ou "Lake of Fire”, canções que nem eram de sua autoria.

Kurt era um astro do rock. Mas não queria ser. Participa do acústico com a mesma alegria e empolgação que participaria de um tratamento de canal. Para qualquer artistazinha medíocre, um acústico na MTV seria a glória. Para ele, algo que faria apenas para adiar o inadiável. Era um adulto, pai de família, mas toda vez que o vejo na tela, vejo uma criança sozinha e assustada. Conseguiu vencer as adversidades, ficou mundialmente famoso, tinha mulher (aquela vaca) e uma filha linda. Nada disso o segurou na Terra. Pena. Você faz falta para pessoas como eu, Kurt. Muita falta. E, afinal, ele foi um covarde por acabar com a própria vida ou foi muito corajoso a ponto de antecipar o inevitável? Foi insensato por não esperar ou arranjar uma solução ou foi inteligente para resolver pôr fim a uma vida sofrida e infeliz que nem a fama e o dinheiro conseguiram salvar?

 

       

Eu juro que não tenho uma arma.



Escrito por Fabrício Rocha às 07h33
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Why... so... serious?

The Joker (Heath Ledger) – The Dark Knight.

 

            Começando a semana, vou falar sobre um rapaz que morreu em Janeiro. Um cara realmente talentoso, bem-humorado, bonito e que se foi cedo demais. Estou falando do Heath Ledger. Acho que vou iniciar uma nova série, “Pessoas das quais sinto inveja”.

            Realmente, tinha todos os motivos do mundo para ter inveja desse ator. Vou tentar enumerá-las aqui. Australiano, Heath começou sua carreira Hollywoodiana com comédias adolescentes, como “10 coisas que eu odeio em você” – mais um motivo para que eu sentisse inveja dele, o cara sabia cantar. E bem. Depois, ele participou de produções como “Coração de Cavaleiro”, “O Patriota”, “Os Irmãos Grimm”. Mas a fama e o reconhecimento vieram quando ele interpretou Ennis Del Mar no polêmico “Brokeback Mountain”, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar.

            E fiquei surpreso e aflito quando li, no Cinema em Cena, que ele havia sido escolhido para interpretar ninguém mais, ninguém menos que o Coringa no novo filme do Batman, “The Dark Knight”, que ainda nem estreou. Como muitos fãs do Cavaleiro das Trevas, temi pelo pior. E esse temor se dissipou quando vi o trailer pela primeira vez. Percebi que, assim como o Gary Oldman foi a redenção para o comissário James Gordon, Heath Ledger foi a redenção para o Coringa. Ele é mau. Ele é perigoso. Mas acima de tudo, tem um senso de humor doentio, que contrasta claramente com a sisudez do morcegão. Todos os dias, pela manhã, assistia ao trailer; cheguei até a decorar as falas. Até que, numa terça-feira em Janeiro, ao abrir um site de notícias, vi algo que me chocou: aos 28 anos, Heath Ledger estava morto. Tudo indicava suicídio. Ele tinha acabado de se separar da mulher (sei na pele o que é isso), o papel do Coringa havia feito com que ele tivesse insônia e ficasse agitado (quando o filme estrear, poderemos ver o porquê – veja uma prévia no trailer), ele estava saindo com a... Lindsay Lohan. Era para qualquer um se matar, mesmo.

            Depois, veio a hipótese de overdose. Enfim, quando o resultado da autópsia saiu, concluíram que sua morte foi por overdose, sim, mas overdose acidental de remédios. Descanse em paz, camarada. Você realmente deixou pessoas que te admiram por aqui.

            Ah, vou enumerar como último, mas esse deveria ter sido o primeiro motivo para eu invejar o rapaz: seu nome era Heathcliff, o mesmo nome do personagem principal do meu livro favorito, Wuthering Heights (O Morro dos Ventos Uivantes), de Emile Brönte.

            Heath morreu aos 28 anos. Bastaria ele ter morrido uns meses antes para que fosse comparado a Kurt Cobain, Jim Morrisson, Janis Joplin, Jimi Hendrix, John Bonham. Meu próximo post será sobre Cobain, o ídolo de minha adolescência.

 

Paz, amor, empatia.

 

Vou mudar o jeito que termino meus posts. Algo realmente que tenha a ver comigo.

 

Save the Whales.

 

Agora sim.



Escrito por Fabrício Rocha às 09h34
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