Hedonismo.
Every time, goddamn I look at my son
I see something I can’t be
Beautiful and carefree, just how I used to be…
Seed – Korn
Uma palavra muito bonita na língua portuguesa é Hedonismo. Não estou dizendo que o significado seja bonito, mas que a palavra soa bem. Claro, não tenho a menor intenção de fazer algo como o Luís Fernando Veríssimo fez com a palavra defenestração. Vou apenas comentar sobre o hedonismo.
Quando cursei administração, assisti a uma aula de Filosofia. O professor nos perguntou qual era o sentido da vida. Se ele tivesse pedido para eu fazer uma conta com vírgulas ou frações ou ainda achar o MMC de alguma coisa, acho que me sairia melhor. Enfim... No final, o próprio professor disse que o que todo mundo busca é ser feliz.
Faz sentido.
Quando crianças, a gente pensa que vai ser alto, bonito, forte e que vai casar com a professora da primeira série, que deve ser o maior símbolo sexual para um pirralho de seis anos. A gente nunca pensa em ficar barrigudo ou careca, ou que irá casar com aquela menininha sardenta e banguela, que usa trancinha, óculos e aparelhos nos dentes (o duro é que quando crescem, essas coisinhas do inferno acabam virando uma Cameron Diaz ou uma Elisha Cuthbert). A gente pensa em ser astronauta, pilotos de Fórmula 1 ou astros do rock. Acaba virando contador.
Mas o que nos impede de sermos aquilo que sonhamos?
Sim, um conjunto de razões. Às vezes por alguma tragédia não podemos cursar a faculdade que queremos. A gente conhece alguém que não nos chama a atenção à primeira vista, mas depois de um tempo estamos perdidamente apaixonados (o perdidamente pode ou não ter duplo sentido) por essa pessoa. E, sinceramente, os humanos têm uma tendência irritante à teimosia. Principalmente os adolescentes.
— Filha, esse cara com doze piercings no rosto e uma tatuagem de Nossa Senhora sendo esquartejada não deve ser uma boa pessoa...
— Cala a boca, mãe, eu sei o que estou fazendo...
É bom o ser humano não ser acomodado. É satisfatório que ele se arrisque. Se todos ficassem com medo de tentar, não teríamos vários de nossos confortos da atualidade. É como diz a música do Smash Mouth, “You’ll never shine if you don’t glow/You’ll never know if you don’t go” ou o contrário, não lembro.
Mas, afinal, arriscamos ou somos “sensatos” e ficamos com o que já temos?
Deixo a pergunta no ar.
Ser hedonista significa ser irresponsável? Acredito que não. Toda vez que penso em alguém hedonista, imagino uma pessoa que não fez nada o dia inteiro e fica cercado de belas mulheres e garrafas de vinho de uma safra... Hmmm, não sou enólogo. Enólogos são bêbados metidos a inteligentes – ou algo assim, roubei isso do site dos Malvados.
Para ser hedonista não precisa ficar bebendo o dia inteiro ou chegar em toda pessoa do sexo oposto. É fazer aquilo que te deixa feliz. Eu acho que seja isso, pelo menos. Assistir a um filme com os amigos. Levar as pessoas que ama para fazer o que gostam – e não precisa ser algo caro ou extravagante. Passar um temo com uma pessoa querida, apenas conversando ou a olhando nos olhos. Sair com os amigos para tomar cerveja (tava demorando...)
Tá difícil hoje. Boa quarta-feira a todos.
Escrito por Fabrício Rocha às 17h15
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