O Blog do Vilão


Underneath your Clothes

All good cretins go to Heaven

Cretin Hope – The Ramones

 

 

OK.

 

Em uma lan house, buscando palavras em um dicionário de inglês online para minhas aulas de inglês.

 

Abri várias janelas do YouTube para ouvir música.

 

Vou comentar cada uma delas.

 

Sou eclético, não liguem.

 

A propósito, fico muito sem jeito com elogios, mas obrigado do fundo do coração, Claudinho e Kore J

 

Green Day – Boulevard of Broken Dreams

Se houvesse uma maneira de sintetizar a solidão e a tristeza em uma música, e mesmo assim a música ser ótima, eu não teria como citar outra. É perfeita, é do tipo que ouço com os olhos fechados pensando em nada e a letra consegue expressar perfeitamente como me sinto às vezes.

My shallow heart, the only thing that’s beating...

 

Metallica – Whiskey in The Jar

Primeiro, descobri que era uma música do Thin Lizzard (Assistam ao filme “Em Nome do Pai”, Daniel Day-Lewis a ouve nesse filme). Depois, que era música folclórica de algum país obscuro do qual não me lembro (Pedrão? Lakf? Anyone?)

É do tipo que me faz tocar air drums. Houve um churrasco, há muito tempo, em que coloquei essa música no repeat.

Quase me jogaram na churrasqueira.

Teve outra vez que um amigo e eu fizemos a nossa professora de inglês tocá-la ao invés de uma música da... Madonna, acho.

Some men  like to hear... To hear the cannon ball roaring... Me, I like sleeping... Specially in my Molly’s chamber... But here I am in prison, here I am with the ball and chains, yeah!!!

 

Pantera – Domination

Descobri essa música em Vera Cruz (!). Não, foi o Júnior que me falou de Pantera pela primeira vez. Ou foi o Duzinho? Caracas, a primeira vez que ouvi a palavra “Pantera” referindo-se a uma banda foi em um Reveillon muito distante. Desejei “Feliz Ano Novo com muito Sepultura” para alguém e ele me listou um monte de bandas. Era o irmão do Thiago Bulho, acho. Uma das bandas era Pantera. Mas me lembro de estar na casa do Gilberto Busa, há décadas, ouvindo Domination e lendo o encarte. E é uma das músicas favoritas do Lakf.

Tenho falado muito de você, né, dog?

Sou hetero, antes que perguntem.

Ah, mas tem banda no universo melhor que Pantera?

How soon we forget when there’s nothing else left to destroy... It’s a useless ploy

 

Green Day – American Idiot

Tá, muito poppy punk para um dia só. Fiquei influenciado pelo Metallica e Pantera, mas não quis esquecer minhas raízes punk (???). Há músicas mais legais, concordo. Mas para desestressar, nada melhor que... poppy punk...

Welcome to a new kind of tension / All across the alien nation / Where everything isn't meant to be okay / Television dreams of tomorrow / We're not the ones who're meant to follow / For that's enough to argue.

 

E... Bem...

 

Ah, fuck off

 

Shakira – Underneath your clothes

Tá, concordo. Não é o tipo de confissão para se fazer publicamente. Ainda mais quando você tem uma imagem a zelar. Mas enfim... A história dessa música é agridoce, para mim. Traz à minha mente um período muito bom em minha vida, quando comecei a dar aula no Colégio Antares. Conheci pessoas sensacionais lá. E no computador que eu trabalhava, tinha umas músicas em MP3 perdidas, essa era uma delas. A Mary era uma pirralhinha entre três e quatro anos. A Melanie era uma recém-nascida. Eu era um pseudo-pai de família que não sabia o que queria da vida. Ainda não sei.

E essa música me lembra uma pessoa. Alguém que hoje é uma grande amiga. Não sei porque lembro dela. Ah, sei com certeza. Foi a primeira pessoa que entrou em minha sala assim que assumi como professor.

Amo você, Aninha. Ana Bertolucci. Toda vez que ouço essa música lembro de ti. Você mora em meu coração.

A propósito, isso NÃO é uma cantada. E você sabe disso, isso é que importa.

I love you more than all that's on the planet / Movin' talkin' walkin' breathing / You know it's true / Oh baby it's so funny / You almost don't believe it / As every voice is hanging from the silence / Lamps are hanging from the ceiling / Like a lady tied to her manners / I'm tied up to this feeling

 

É isso.



Escrito por Fabrício Rocha às 23h25
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Acaso

Só o acaso tem voz.

Milan Kundera – A insustentável Leveza do Ser.

 

Acho que ainda estou influenciado pelo mesmo sentimento do último post. Não sei o que é, por mais que tente descobrir. Consigo analisar os sentimentos dos outros, os meus são uma incógnita. Talvez um motivo para eu estar assim seja que descobri quão crasso é meu conhecimento do mundo. Acho que falo bem inglês, mas vejo meu chefe falando ao telefone e descubro quanto ainda preciso aprender. Penso que sei algo sobre cinema apenas porque decorei o nome de vinte atores e uma meia dúzia de diretores e vejo a quantos filmes ainda não assisti; penso que conheço algo sobre o mundo, converso com o Lakf e com o Pedrão e fico assombrado com o grasso conhecimento deles sobre Filosofia e Literatura – e silencio, pasmo e fascinado. Lembro das conversas que tive com meus irmãos e meu pai e vejo que nada entendo de esportes, de construção, de tráfego, de carros, de economia, de encanamentos, de rede elétrica, de nada...

E não quero nem de longe citar o que sei sobre sentimentos e relacionamentos amorosos.

Não os meus, pelo menos.

Chego em casa, vejo que ainda há uma ligeira bagunça, mas não me sinto animado para arrumar nada. Não é preguiça, trouxe tarefa de meus dois empregos e estou bastante empolgado para realizá-las; nem desleixo, a bagunça me incomoda. Mas simplesmente acho que agora há coisas mais importantes para ser feitas.

Então deito ouvindo a voz de um excelente cantor há que há muito deixou de respirar e filosofo sobre o que ele canta. Ele me pergunta, repetidas vezes “quem quer viver para sempre?” e eu, falando sozinho e com uma certa expressão de pesar, respondo “Não eu”. Que mundo é esse no qual vivemos? Um líder louco mata milhões de inocentes, crianças, velhos, adultos, pessoas apegadas que queriam amar e ser amadas, que queriam ser felizes, que tinham sonhos e esperanças. Mas por terem nascido em um lugar diferente foram trucidadas impiedosamente. E o que é pior, não foi o líder louco que fez isso sozinho, ele tinha milhares de seguidores que pensavam igual a ele. Que não eram obrigados a assar crianças vivas em fornos quando as câmeras de gás não funcionavam, mas faziam isso porque realmente acreditavam que aquelas pessoas não tinham valor como seres humanos. Hiltler, Mussolini, Pol Pot, Franco, Pinochet, Milosevich, Stalin, nenhum deles tinha superpoderes que os habilitavam a matar centenas instantaneamente. Eles tinham gente que os idolatravam e achavam aquilo certo.

Hoje à tarde li sobre a entrevista que a mãe daquela menina deu no Fantástico. Quase chorei. Só não chorei porque estava no meio de estranhos. O que leva um pai a fazer aquilo com a própria filha? Eu me atiro de um prédio quinze vezes antes de atirar uma de minhas filhas.

E então vejo que o mundo está cada dia mais perigoso. Aviões caem, barcos afundam, trens trombam, carros explodem. Árvores são derrubadas, gases tóxicos são atirados na atmosfera, produtos químicos e esgotos nos rios. Daí a Mãe Terra fica puta da vida. Em um terremoto morrem cem mil, em um ciclone, mais cem mil, em um tsunami, mas cem mil, em uma enchente, centenas morrem e milhares ficam desabrigados.

Às vezes dou risada quando ouço que o ser humano é racional. Tenho vergonha quando tomo consciência que sou da mesma raça do Ted Bundy, Jeffrey Dahmer, Charles Manson, John Wayne Gacy, Javed Iqbal, Joe Ball, Edson Izidoro do Nascimento, H. H. Holmes e tantos outros. É por isso que eu silencio quando dão risada e dizem que só existe vida inteligente na Terra. Inteligente?

Deve ser por isso que nesse último fim de semana não consegui tomar cerveja. Até tomei, mas não foi algo que me deu prazer.

Acreditem se quiser, uma de minhas maiores alegrias nesse fim de semana foi quando olhei no espelho e prestei atenção em meu rosto. Não faço isso com freqüência. Mas fiquei feliz ao ver que, finalmente, agora que tenho trinta anos e estou prestes a fazer trinta e um, tenho marcas de expressão e cabelos brancos. Meu corpo está começando a ficar compatível com minha idade cronológica. Mas ainda quero ler “A idade da Razão”. Ou algo assim.

Deveria ficar frustrado com o mundo em que vivo. Mas daí ganho um abraço e um sorriso de minhas filhas. Pessoas que admiro muito dizem que me admiram. Amigos me ligam do nada. Outros aparecem em casa do nada. Mais amigos aparecem em casa e me levam alguém que não via há muito tempo, e fico feliz. Saio pra balada, acabo na casa de uma grande pessoa para assistir a um filme, cercado de seres humanos excelentes e acabamos dormindo largados. E no outro diz comentamos como foi divertida a noite anterior. Amigos de muito longe me ligam sem motivo aparente. Recebo mensagens em meu celular de alguém que considero um irmão. Meu irmão de verdade me parabeniza, também via celular. Minha irmã me manda um scrap carinhoso no Orkut. Pessoas que nem conheço pessoalmente dizem que estão com saudade.

Então, do nada, meus olhos se enchem de lágrimas e eu pergunto, enfim, “Que mundo é esse”?

E vejo que, sim, apesar de tudo, vale a pena estar por aqui.

 

Acho que agora posso voltar a escrever sobre cerveja.

Ou não.



Escrito por Fabrício Rocha às 22h49
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