O melhor post dos últimos 31 anos parte 2
Posso até dizer mais.
Sou um vilão regenerado.
Não que um braço meu caiu e nasceu de novo ou algo do tipo.
Mas as pessoas mudam, incluindo os vilões.
Eu acredito nisso, pois é verdade.
Como Darth Vader se redimiu? Matando o imperador, por amor ao filho. O que nos impede de odiar Hannibal Lecter? O sentimento que ele nutre pela Clarice Sterling. Por que não ficamos com raiva de Sweeney Todd? Porque ele realmente ama sua Lucy e sua Johanna.
Então, para eu deixar de ser vilão, eu devo amar?
Mas eu já faço isso. Tenho duas enormes, imensas, imensuráveis paixões chamadas Mary Jane e Melanie.
Mas e se além delas eu achasse alguém para dividir minha vida?
Tá. Podem me chamar de tolo. De bobo, ingênuo.
Mas eu quero acreditar no amor.
Que eu nunca encontrei em toda a minha vida. Pois se tivesse encontrado, estaria com alguma pessoa até hoje.
Sim, quero me escandalizar quando um relacionamento acaba, quero ficar triste quando vejo que uma pessoa não sente mais nada pela outra, quero acreditar que um casal pode ficar unido até o fim da vida, quero acreditar que talvez uma pessoa realmente tenha nascido para outra, quero crer que o amor pode vencer tudo, quero achar que a vida é como um daqueles filmes nos quais a Julia Roberts ou a Meg Ryan encontram o príncipe encantado.
Ninguém pode me culpar disso, tudo o que eu sei eu aprendi nos filmes (isso é o nome de um livro).
Mas acho que vou encontrar minha princesa encantada.
Citando Korn:
There’s nothing wrong wanting to be loved
Is there something wrong with me?
(Não há nada de errado em querer ser amado
Há algo errado comigo?)
É difícil achar uma pessoa que goste das mesmas coisas que eu? Que goste de ficar sossegado em casa, que goste de filmes, que goste de conversar sobre literatura ou discos voadores?
E se eu já tiver achado essa pessoa?
E se, por algum acaso, eu não puder tê-la ainda... ter que esperar um tempo, um bom tempo, mas olhar nos olhos dessa pessoa e dizer algo como “vou me guardar para você pelo tempo que for... Mas ainda ficaremos juntos e teremos o resto da vida para termos oportunidades de, por exemplo, ficarmos abraçados embaixo de uma coberta assistindo a um filme numa tarde chuvosa de Sábado com uma garrafa de vinho e um fondue ao lado? Ou de vermos o pôr-do-sol na beira de alguma praia e ficarmos sentados sem dizer nada um para o outro, cabeças encostadas, sentadinhos na areia, só vendo o sol ir embora”...
Eu citaria AudioSlave par essa pessoa:
I’ll wait for you there like a stone
I’ll wait for you there... alone...
(Eu esperarei por você lá sem me mover...
Eu esperarei por você lá... sozinho)
Afinal, segundo Mustaine, “Loneliness is not only felt by fools” (A solidão não é sentida apenas por tolos).
Isso finalmente me redimiria como vilão, concorda?
Daí eu juntaria as filhas que amo, a casa que amo, os amigos que amo, com uma pessoa que seria inteira minha e de quem eu seria por inteiro e apenas dela.
Acordaria de manhã, e além de ficar contente, como já fico hoje, por estar em meu cantinho e estar indo ou trabalhar com tradução, que eu amo, ou para dar minhas aulas de inglês, que eu amo, eu acordaria ao lado dela... E minha vida seria mais que perfeita. E eu estaria vivendo um conto-de-fadas. E temeria muito que aquilo um dia acabasse, que a pessoa fosse embora, que eu fosse demitido, que algum amigo meu me odiasse, que por algum motivo eu magoasse minhas filhas. E oraria em silêncio para mim mesmo e agradeceria a Deus, Buda, Allá, a Força, quem quer que fosse pela minha vida. Não pediria para mudar um segundo de nada do que passei até hoje, pois todos os espinhos que me machucaram ao longo do caminho serviram para me guiar para um mundo onde acordo todos os dias de manhã e, mesmo com a fome na África, mesmo com o preconceito contra negros, judeus e homossexuais, mesmo com o Holocausto, eu tivesse centenas de motivos para sorrir.
Cobain já disse:
I think I’m dumb
Or maybe just happy...
Think I’m just happy.
(Acho que estou louco
Ou, talvez, apenas feliz
Acho que estou simplesmente feliz)
Amor fati, Lakf.
Ah, mas não é você que amo. Mesmo tendo ido comigo ao cinema assistir Brokeback Mountain.
Amo como amigo, como irmão, isso sempre.
Pra que concordar com Schoppenhauer? Achar que depois de um objetivo alcançado, aquilo perderia a graça e iríamos atrás de outro objetivo, numa constante rotina (olha o pleonasmo) de sucesso/empolgação – fracasso/frustração. Não quero ficar com uma vida estática, mas quero manter a maior parte disso tudo estável, sim.
Por que não?
Estou bem assim.
A gente deve mudar. Ô. Claro que deve. Mas agora que tudo está tão bom, não mexe.
Rs.
Claro, fui muito pretensioso chamando esse post de “O Melhor”.
Para os outros, talvez.
A propósito, Javier Barden. Vilão fodástico, fodástico, fodástico no filme “Onde os fracos não têm vez”. Mas não assistam. Muitos acharão o filme chato. Não copiem ninguém, sejam vocês mesmos.
O amor é uma caixa de chocolates com um coração dourado.
Bonito isso.
Escrito por Fabrício Rocha às 20h58
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