O Blog do Vilão


O melhor post dos últimos 31 anos - parte 1 (A parte 2 vem logo abaixo)

Why did I wait?

You told me to wait.

No he’ll never come again.

 

There’s a whole in the world

Like a great black pit

And it’s filled with people

Who are filled with shit

And the vermin of the world inhabit it

But not for long

They all deserve to die

Tell you why, Mrs. Lovett

Tell you why

Because in all of the whole human race

Mrs. Lovett

There are two kinds of men

And only two.

There’s one staying put

In his proper place

And the one with his foot

In the other one’s face

Look at me, Mrs. Lovett, look at you

No, we all deserve to die

Even you, Mrs. Lovett, even I

Because the lives of the wicked

Should be made brief

For the rest of us

Death will be a relief

We all deserve to die

And I’ll never see Johanna

No, I’ll never hug my girl to me

Finish!

Sweeney Todd (Johnny Depp) – Sweeney Todd, the demon barber of Fleet Street

 

Ok. Acabei de fazer 31.

Já vivi mais que o Kurt Cobain, Jim Morrison (ou não...), John Bonham, Jimmy Hendrix, James Dean, Janis Joplin, Ian Curtis, Heath Ledger...

Daqui a pouco, chego no JC.

E aí?

 

O que posso ensinar para os outros?

Fiz uma lista de vídeos do Youtube, CDs, Livros e Filmes.

Mas vai ficar para mim. Não importa o que leiam, assistam ou ouçam.

Não copiem ninguém, sejam vocês mesmos.

 

Sou um vilão. Isso é triste. O que nos torna vilões? Isso é fácil de responder. Sweneey Todd virou vilão por uma injustiça. Darth Vader, Hannibal Lecter e Norman Bates também. No caminho dessa pessoas, houve algum egoísta maldito que só fez com que eles não se sentissem ninguém. Humilharam-nos, fizeram da auto-estima deles algo que só servia para capacho.

Assim como os vilões da vida real. Ted Bundy, John Wayne Gacy, Albert Fish, Pee-Wee Gaskins, Aileen Wuornos...

Assim como eu.

Não estou falando de algo recente. Mas de algo distante, muito distante.

É horrível ser criado em um ambiente onde haja apenas desespero, brigas, nenhuma compaixão, nenhuma compreensão.

Durante toda a minha vida, quando criança, jamais ouvi a palavra “Desculpa”.

Nem para mim, nem para ninguém que me rodeava.

Nunca soube o que era um diálogo.

Não pude conhecer meus irmãos.

Me enganaram.

Me roubaram.

Minaram minha auto-estima.

Daí, como um bom vilão (isso é um oxímoro? Tipo morto-vivo?), cresci desdenhando de todo mundo (Não preciso de ninguém) e falando mal de todo mundo.

O que aconteceu?

Acabei sozinho.

Me fudi.

Daí tentei ser alguém muito presente.

Meloso.

Grudento.

O que aconteceu?

Fiquei sozinho.

Me fudi.

Sério, estudei um bocado sobre a vida dos serial killers. Eu tive tudo para ser um. Ou um drogado. Alcoólatra. Ou coisa pior.

Claro, não sou, nunca fui nem nunca conseguirei ser a pior pessoa do mundo.

Muito menos a melhor.

Mas aprendi.



Escrito por Fabrício Rocha às 20h58
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O melhor post dos últimos 31 anos parte 2

Posso até dizer mais.

 

Sou um vilão regenerado.

Não que um braço meu caiu e nasceu de novo ou algo do tipo.

Mas as pessoas mudam, incluindo os vilões.

Eu acredito nisso, pois é verdade.

Como Darth Vader se redimiu? Matando o imperador, por amor ao filho. O que nos impede de odiar Hannibal Lecter? O sentimento que ele nutre pela Clarice Sterling. Por que não ficamos com raiva de Sweeney Todd? Porque ele realmente ama sua Lucy e sua Johanna.

Então, para eu deixar de ser vilão, eu devo amar?

Mas eu já faço isso. Tenho duas enormes, imensas, imensuráveis paixões chamadas Mary Jane e Melanie.

Mas e se além delas eu achasse alguém para dividir minha vida?

 

Tá. Podem me chamar de tolo. De bobo, ingênuo.

Mas eu quero acreditar no amor.

Que eu nunca encontrei em toda a minha vida. Pois se tivesse encontrado, estaria com alguma pessoa até hoje.

Sim, quero me escandalizar quando um relacionamento acaba, quero ficar triste quando vejo que uma pessoa não sente mais nada pela outra, quero acreditar que um casal pode ficar unido até o fim da vida, quero acreditar que talvez uma pessoa realmente tenha nascido para outra, quero crer que o amor pode vencer tudo, quero achar que a vida é como um daqueles filmes nos quais a Julia Roberts ou a Meg Ryan encontram o príncipe encantado.

Ninguém pode me culpar disso, tudo o que eu sei eu aprendi nos filmes (isso é o nome de um livro).

Mas acho que vou encontrar minha princesa encantada.

Citando Korn:

There’s nothing wrong wanting to be loved

Is there something wrong with me?

(Não há nada de errado em querer ser amado

Há algo errado comigo?)

É difícil achar uma pessoa que goste das mesmas coisas que eu? Que goste de ficar sossegado em casa, que goste de filmes, que goste de conversar sobre literatura ou discos voadores?

E se eu já tiver achado essa pessoa?

E se, por algum acaso, eu não puder tê-la ainda... ter que esperar um tempo, um bom tempo, mas olhar nos olhos dessa pessoa e dizer algo como “vou me guardar para você pelo tempo que for... Mas ainda ficaremos juntos e teremos o resto da vida para termos oportunidades de, por exemplo, ficarmos abraçados embaixo de uma coberta assistindo a um filme numa tarde chuvosa de Sábado com uma garrafa de vinho e um fondue ao lado? Ou de vermos o pôr-do-sol na beira de alguma praia e ficarmos sentados sem dizer nada um para o outro, cabeças encostadas, sentadinhos na areia, só vendo o sol ir embora”...

Eu citaria AudioSlave par essa pessoa:

I’ll wait for you there like a stone

I’ll wait for you there... alone...

(Eu esperarei por você lá sem me mover...

Eu esperarei por você lá... sozinho)

Afinal, segundo Mustaine, “Loneliness is not only felt by fools” (A solidão não é sentida apenas por tolos).

Isso finalmente me redimiria como vilão, concorda?

Daí eu juntaria as filhas que amo, a casa que amo, os amigos que amo, com uma pessoa que seria inteira minha e de quem eu seria por inteiro e apenas dela.

Acordaria de manhã, e além de ficar contente, como já fico hoje, por estar em meu cantinho e estar indo ou trabalhar com tradução, que eu amo, ou para dar minhas aulas de inglês, que eu amo, eu acordaria ao lado dela... E minha vida seria mais que perfeita. E eu estaria vivendo um conto-de-fadas. E temeria muito que aquilo um dia acabasse, que a pessoa fosse embora, que eu fosse demitido, que algum amigo meu me odiasse, que por algum motivo eu magoasse minhas filhas. E oraria em silêncio para mim mesmo e agradeceria a Deus, Buda, Allá, a Força, quem quer que fosse pela minha vida. Não pediria para mudar um segundo de nada do que passei até hoje, pois todos os espinhos que me machucaram ao longo do caminho serviram para me guiar para um mundo onde acordo todos os dias de manhã e, mesmo com a fome na África, mesmo com o preconceito contra negros, judeus e homossexuais, mesmo com o Holocausto, eu tivesse centenas de motivos para sorrir.

Cobain já disse:

I think I’m dumb

Or maybe just happy...

Think I’m just happy.

(Acho que estou louco

Ou, talvez, apenas feliz

Acho que estou simplesmente feliz)

 

Amor fati, Lakf.

Ah, mas não é você que amo. Mesmo tendo ido comigo ao cinema assistir Brokeback Mountain.

Amo como amigo, como irmão, isso sempre.

 

Pra que concordar com Schoppenhauer? Achar que depois de um objetivo alcançado, aquilo perderia a graça e iríamos atrás de outro objetivo, numa constante rotina (olha o pleonasmo) de sucesso/empolgação – fracasso/frustração. Não quero ficar com uma vida estática, mas quero manter a maior parte disso tudo estável, sim.

 

Por que não?

Estou bem assim.

A gente deve mudar. Ô. Claro que deve. Mas agora que tudo está tão bom, não mexe.

Rs.

 

Claro, fui muito pretensioso chamando esse post de “O Melhor”.

Para os outros, talvez.

 

A propósito, Javier Barden. Vilão fodástico, fodástico, fodástico no filme “Onde os fracos não têm vez”. Mas não assistam. Muitos acharão o filme chato. Não copiem ninguém, sejam vocês mesmos.

 

O amor é uma caixa de chocolates com um coração dourado.

 

Bonito isso.



Escrito por Fabrício Rocha às 20h58
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Já passei pelo período "euforia/depressão profunda" de meu aniversário.
Ótimo, posso voltar a blogar agora.
Já volto. Se tudo correr bem, se o mundo não acabar e se eu não morrer.

Rs, quem escreveu "amor fati"? E o que isso quer dizer???



Escrito por Fabrício Rocha às 19h46
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